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sexta-feira, 5 de junho de 2015

Aventuras... do desemprego #1


Nos últimos tempos, tive oportunidade de participar em entrevistas de emprego de duas formas diferentes, e, em ambas, assisti a situações inacreditáveis. Apesar da minha idade e experiência de vida, quando penso que já pouca coisa me surpreende, eis que me cai o queixo, mais uma vez, e outra, e outra...  

Ora então, tive de telefonar a pessoas que já tinham enviado o seu CV, mostrando interesse numa oferta de emprego, para marcar a entrevista. Os candidatos disseram-me coisas fantásticas, como:
“Não dá para ser mais tarde? É que às 9h00 é um bocado cedo…”;
“Amanhã às 9h00? Olhe deixe-me ver se posso e eu já lhe ligo.” – E não voltei a ter notícias do senhor;
“Olhe, eu vou, mas aviso já que não me interessa fazer descontos…”

Pois, e isto foi só o começo.
No dia da entrevista, apesar de ter feito os agendamentos na véspera, várias pessoas faltaram, outras chegaram atrasadas. O que também me parece bem. Porquê dar uma falsa ideia de responsabilidade e pontualidade a um potencial empregador?

Ao ligar para uma rapariga que estava a faltar, ela atende com uma voz nasalada e diz-me “Ai olhe, não pude ir, acordei cheia de febre, marque-me para logo à tarde.” – Doenças misteriosas que aparecem já com duração definida: só atacam da parte da manhã.

Antes da entrevista, cada candidato tinha de preencher uma ficha. Quantas pessoas trouxeram caneta? Aí 1 em cada 10.
Numa segunda remessa de contactos que fiz, referi explicitamente que tinham de trazer caneta para a entrevista: só metade se esqueceu, já foi melhor…

Recentemente fui eu a uma entrevista colectiva. Todos recebemos um emaiI de convocatória, informando que a mesma teria a duração de 1 hora. A todas as entrevistas a que vou, levo uma caneta e um caderno. Mas, neste caso e com esta duração, assumi que não iríamos jogar às cartas e pareceu-me ainda mais lógico ter comigo material de escrita. Éramos 6 pessoas: eu e outro candidato levámos caneta, os outros 4 tiveram de pedir aos entrevistadores, o que fica sempre bem.

A empresa é grande e conceituada e a função tem algum grau de responsabilidade. Uma rapariga foi de sapatilhas, outra a mascar pastilha elástica e uma terceira de t-shirt e calças de ganga desbotadas. Não estou a dizer que as pessoas se devam vestir de gala para uma entrevista de trabalho, mas acho que há mínimos.

Durante a entrevista, (não antes, mas sim, durante) ouve-se pela sala um ruído grave e ritmado: uma das candidatas deita a mão à mala (onde não se deu ao trabalho de enfiar uma caneta) e tirou o telemóvel, ao qual tirou o som.

Foi perguntado a todos há quanto tempo estavam desempregados e porquê. A maioria estava sem trabalhar há mais de 1 ano.
Uma rapariga, a das calças de ganga e t-shirt, que não levou papel nem caneta para a entrevista, que não se informou previamente sobre a empresa, que disse adorar falar línguas, mas que não conseguiu elaborar uma frase simples em Inglês e que respondeu sempre em tom arrogante e autoritário a todas as perguntas, apontou como motivo para estar ainda desempregada “Mau-olhado.”

2 comentários:

  1. Então...e eu não sei?.Treze anos a remar contra a maré.Num Estabelecimento de ensino onde a maioria são jovens adultos.Arrogantes,ignorantes e naturalmente maus alunos.A maioria borrifando para os estudos
    e facilmente arvorando-se de vitimas. Por isso, estamos como estamos. Tenho setenta anos, a mim já nada
    me faz ficar de boca aberta,chega!...

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    1. Enquanto houver quem reme contra a maré, há-de haver uma esperança. A minha ainda cá anda, mas mantê-la nem sempre é fácil, tem dias. :)

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