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quarta-feira, 2 de maio de 2012

Pessimismo antecipado


Tenho tendência a ficar com músicas na cabeça. E nunca são músicas eruditas ou de grande qualidade, é mesmo aquela musiquinha parola, azeiteira e enjoativa, que mais tende a colar-se ao meu pensamento e sou capaz de andar o dia todo nisto.
Hoje foi esta: “It will rain” do Bruno Mars. Em vez de tentar contrariar a sensação de ouvi-la tocar na minha cabeça, vezes sem conta, decidi tentar enjoar o meu cérebro e pus-me a ouvi-la no youtube. 

(Quem quiser, pode acompanhar a leitura com esta música de fundo, o vídeo está lá, mais abaixo, mas depois não se queixem…)

E foi assim que descobri que este rapaz tem qualquer coisa de português, de certeza. Algum antepassado mais ou menos longínquo lhe marcou a linhagem, senão vejamos: este jovem canta toda uma canção deprimente sobre a POSSIBILIDADE de a namorada o deixar! Sim, ela ainda não lhe deu com os pés e ele já chora como uma menina mimada, a pensar em como seria a sua vida se isso eventualmente acontecesse!

Ora, para quem não percebe bem Inglês, atentemos na tradução de parte da letra desta música:

“Se alguma vez me deixares, bebé
Deixa alguma morfina à minha porta
Porque vai ser precisa muita medicação
Para perceber que o que nós tínhamos
Já não temos mais.” 

(é de mim ou há aqui alguma burrice admitida? Ou alguma confusão sobre os efeitos da morfina no corpo humano? Ele não quer a morfina para as dores da possível separação que, volto a lembrar, ainda não aconteceu, é para o ajudar a perceber que a miúda se foi… hmmm)

“(…)
Porque não haverá luz do sol
Se eu te perder, bebé
Não haverá céus limpos
Se eu te perder, bebé
Tal como as nuvens,
Os meus olhos farão o mesmo
Se tu te afastares, todos os dias irá chover
Chover, chover...
(…)”

(noto também alguma confusão de personalidade… Ele acha que é S. Pedro, ou que possui a capacidade mágica de alterar a meteorologia.)

E agora vamos pensar na pobre namorada, a aturar este espírito macambúzio diariamente. Ela a querer ir ao cinema, ou jantar fora e ele “Ah, não consigo, tenho de carpir as mágoas de pensar que um dia tu me poderás, eventualmente, deixar… Talvez noutra altura…”
Oh Bruno, olha que se ela não foi, assim deve ir de certeza! 

E onde é que eu já vi este nível de pessimismo antecipado? Ah, pois é… Em todo o lado!


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